Adoção institucional de cripto atinge 86 porcento globalmente

Pesquisa EY-Parthenon mostra 86% de instituições com exposição cripto. 13F filers detêm $21,2B em ETFs Bitcoin. 172 empresas públicas acumulam BTC em tesouraria.

Rafael Andrade Notícias

Adoção institucional de cripto atinge 86 porcento globalmente

Adoção institucional de criptomoedas acelerou em 2025 segundo pesquisa da EY-Parthenon e Coinbase com 352 firmas. Oitenta e seis por cento de investidores institucionais pesquisados possuem exposição a ativos digitais ou planejam alocações. Desses, 83 por cento pretendem aumentar alocações no próximo ano e 59 por cento comprometem mais de 5 por cento de ativos sob gestão em criptomoedas.

O levantamento institucional incluiu gestores de ativos, family offices, bancos privados, hedge funds e firmas de venture capital. Setenta e seis por cento já investiram em cripto spot ou ETPs de cripto spot, sinalizando transição de interesse especulativo para posições estruturadas de portfólio institucional.

ETFs de Bitcoin concentram 21,2 bilhões em capital institucional

Filers 13F, que incluem gestores institucionais administrando mais de 100 milhões de dólares, detinham 21,2 bilhões em ETFs de Bitcoin no final do primeiro trimestre de 2025. Esse grupo institucional representa 24 por cento do AUM total do complexo de ETFs spot de Bitcoin nos Estados Unidos.

Consultores de investimento registrados aumentaram participação institucional de 50 por cento no primeiro trimestre de 2025 para 57 por cento no terceiro trimestre, controlando maioria absoluta dos ativos de Bitcoin reportados em 13F. ETFs globais de Bitcoin administravam aproximadamente 179,5 bilhões de dólares até meados de julho de 2025.

BlackRock administra cerca de 805.000 BTC através de seu ETF, tornando-se maior detentor institucional individual. Fidelity mantém mais de 20 bilhões em seu FBTC. JPMorgan projetou influxos institucionais de primeiro ano entre 4 e 8,4 bilhões para ETFs de XRP, indicando apetite institucional por produtos além de Bitcoin.

Empresas públicas acumulam Bitcoin em tesouraria

Pelo menos 172 empresas de capital aberto detinham Bitcoin no terceiro trimestre de 2025, alta de 40 por cento trimestre a trimestre segundo dados do SVB. Strategy, anteriormente MicroStrategy, lidera com 628.791 BTC adquiridos até segundo trimestre de 2025, adicionando 301.335 BTC via oferta de ações de 21 bilhões.

Mineradoras representam segunda maior categoria. Marathon Digital possui 44.893 BTC, Riot Platforms detém 17.772 BTC e CleanSpark acumula 10.097 BTC. Holdings corporativos totais de Bitcoin dobraram de 262.632 BTC no quarto trimestre de 2023 para 590.649 BTC no final de 2024.

Governo dos Estados Unidos estabeleceu Reserva Estratégica de Bitcoin através de ordem executiva em 6 de março de 2025, detendo aproximadamente 328.372 BTC em fevereiro de 2026. A reserva federal posiciona Bitcoin como ativo estratégico comparável a ouro ou reservas cambiais.

OCC aprova cinco bancos fiduciários nacionais para cripto

Office of the Comptroller of the Currency aprovou cinco licenças de banco fiduciário nacional para firmas de cripto: BitGo, Circle, Fidelity Digital Assets, Paxos e Ripple. Essas licenças permitem custódia regulada, liquidação e serviços bancários completos para ativos digitais.

JPMorgan opera plataforma Onyx para pagamentos e títulos tokenizados, usando JPM Coin para settlement intradiário entre clientes institucionais. Morgan Stanley e PNC desenvolvem produtos de custódia, empréstimo e trading. Mudança regulatória acelera bancos tradicionais competindo diretamente com exchanges cripto nativas.

Hedge funds e family offices aumentam alocações

Cinquenta e cinco por cento de hedge funds tradicionais possuem exposição a cripto, aumento de 47 por cento em 2024. Desses, 71 por cento com exposição planejam aumentar alocações e 92 por cento detêm cripto spot diretamente em vez de derivativos.

Family offices mostram adoção ainda mais agressiva. Setenta e quatro por cento investiram em criptomoedas ou estão explorando, aumento de 21 por cento ano a ano. Cripto representa 5 por cento de portfólios de family offices em média. Fora dos Estados Unidos, holdings subiram 75 por cento ano a ano.

Atividade em derivativos da CME atinge 3 trilhões de dólares

CME Group processou 3 trilhões de dólares em volume nocional para futuros e opções de cripto em 2025. Volume médio diário no quarto trimestre de 2025 atingiu 403.200 contratos equivalendo 14,2 bilhões de dólares nocional, alta de 106 por cento ano a ano.

Em 21 de novembro de 2025, CME registrou recorde histórico diário de 794.903 contratos. Volume combinado de futuros e opções no terceiro trimestre de 2025 excedeu 900 bilhões de dólares, demonstrando que instituições preferem produtos regulados a exchanges spot não reguladas.

Brasil fica atrás em adoção institucional

Enquanto 86 por cento de instituições globais possuem exposição, Brasil enfrenta limitações regulatórias. CVM não autorizou fundos de pensão a investir em criptoativos diretamente. Fundos exclusivamente cripto como Hashdex NCI11 negociam na B3, mas captação institucional permanece marginal comparada a fundos tradicionais.

Bancos brasileiros desenvolvem soluções de custódia mas não oferecem mesa de trading institucional. BTG Pactual lançou token próprio, Itaú anunciou plataforma de ativos digitais, porém produtos permanecem limitados a clientes qualificados sem integração completa em serviços bancários principais.

Diferença entre Brasil e mercados desenvolvidos reflete ausência de framework regulatório claro. Projeto de Lei 4401/21 aguarda votação no Senado desde 2022. Aprovação poderia catalisar entrada de instituições brasileiras seguindo padrão global de alocação de 5 por cento ou mais em criptoativos.

Aviso legal As informações publicadas na Coinliva têm caráter exclusivamente informativo e não constituem recomendação financeira ou de investimento. As criptomoedas são muito voláteis e envolvem risco. Embora busquemos publicar dados precisos e atualizados, alguns detalhes podem mudar com o tempo. Faça sua própria pesquisa antes de qualquer decisão financeira.