Binance corta 22 criptos e restringe 8 serviços no Brasil

Binance anuncia retirada de 22 criptomoedas e bloqueio de 8 serviços para brasileiros a partir de 27 de outubro de 2026, atendendo exigências do Banco Central.

Rafael Andrade Notícias

Binance corta 22 criptomoedas e 8 serviços em adaptação ao Banco Central

A Binance anunciou em 8 de outubro de 2026 que vai remover 22 criptomoedas e restringir 8 serviços para usuários brasileiros a partir de 27 de outubro. A medida representa o maior ajuste operacional da Binance no mercado brasileiro desde que o Banco Central estabeleceu o marco regulatório para ativos virtuais.

O Banco Central do Brasil impôs prazo de 30 de outubro para corretoras se regularizarem sob as novas regras. A Binance está entre as empresas que buscam autorização para continuar operando no país. A adequação exige mudanças na estrutura de produtos, serviços e controles de conformidade.

As 22 criptomoedas que a Binance remove da plataforma brasileira incluem Verge (XVG), Ethena USDe (USDE), TerraClassicUSD (USTC), Decred (DCR), Dusk (DUSK), PIVX, BounceBit (BB), MANTRA, Harmony (ONE), GMT, Theta Fuel (TFUEL), Zilliqa (ZIL), Ontology (ONT), Ravencoin (RVN), Across Protocol (ACX), Hifi Finance (HFI), Vulcan Forged (PYR), Vanar (VANRY), Viction (VIC), ICON (ICX), Secret (SCRT) e Storj (STORJ).

A lista concentra tokens de menor capitalização e projetos com volume reduzido no mercado brasileiro. Os saldos dessas criptomoedas permanecem nas contas. Clientes da Binance podem sacar ou reinvestir dentro dos recursos disponíveis após 27 de outubro.

Oito produtos bloqueados para novos usuários

Oito serviços da Binance ficam bloqueados para novas operações de brasileiros: Binance Loans, Binance Pool, Cloud Mining, Margin, Launchpool, Megadrop, HODLer Airdrops e Alpha 2.0. Posições já abertas continuam até o encerramento natural, mas clientes não podem iniciar novas operações nesses produtos.

A Binance informou que derivativos e futuros não estarão mais disponíveis para residentes brasileiros na plataforma doméstica. A restrição atinge produtos de alavancagem que representam parte significativa do volume de negociação em mercados não regulados.

Usuários que quiserem continuar negociando derivativos podem abrir conta internacional separada, vinculada às operações do grupo da Binance em Abu Dhabi. Essa conta opera fora da jurisdição brasileira, por conta e risco do próprio usuário, sem proteção das regras do Banco Central.

Relatórios mensais obrigatórios ao BC

A partir de 1º de novembro de 2026, a Binance passa a reportar mensalmente ao Banco Central todas as transferências internacionais de criptomoedas. A exigência consta na Resolução BCB 521 e segue o mesmo modelo de controle cambial aplicado a remessas em moeda fiduciária.

A Binance esclareceu que as resoluções do BC não criaram tributo novo. A mudança está na entidade que cuida das operações, o que pode afetar a forma como investimentos são tributados para fins de declaração à Receita Federal. A empresa afirmou que vai permanecer no Brasil e busca preservar os serviços que a regulação autoriza.

O prazo de 29 de outubro marca a data-limite para migração de contas de clientes brasileiros para empresas do grupo local da Binance. Em 30 de outubro termina o período de adaptação para todas as empresas que lidam com ativos virtuais no Brasil.

Concentração do mercado brasileiro em curso

O Banco Central ainda não divulgou quais corretoras receberam pré-aprovação. Relatório da Valor Investe aponta que cerca de 10 empresas, de aproximadamente 200 em operação, devem obter autorização final. Corretoras sem licença do BC após 30 de outubro devem encerrar atividades em até 30 dias.

Quatro corretoras já encerraram atividades antes do prazo: BitNuvem, Coinext, NovaDAX e Digitra. Nenhuma atribuiu diretamente o fechamento às exigências regulatórias, mas o timing coincide com o período de adaptação.

A Binance é a maior corretora de criptomoedas por volume global, processando mais de US$ 2 trilhões em negociações mensais em 2026. As mudanças no Brasil refletem o ajuste operacional que exchanges internacionais precisam fazer para atender jurisdições com marco regulatório específico.

A ABToken, associação de empresas de ativos digitais, publicou manifesto pedindo normas claras e acessíveis. Segundo a presidente Regina Pedroso, a entidade não se opõe à regulação, mas defende que as regras não podem afastar empreendedores nem tornar o mercado regulado brasileiro menos competitivo.

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