Bitcoin mantém US$ 76 mil com investidores atentos ao Fed

Bitcoin negocia em US$ 76.981 após rejeição em US$ 82 mil, enquanto mercado aguarda decisão do Federal Reserve sobre juros e inflação americana.

Rafael Andrade Mercados

Bitcoin mantém US$ 76 mil com investidores atentos ao Fed

Bitcoin negocia em torno de US$ 76.981 nesta quarta-feira, 18 de setembro, segundo dados da Forbes Advisor, mantendo lateralização após quarta rejeição em US$ 82 mil registrada na semana anterior. Investidores aguardam sinais do Federal Reserve sobre trajetória de juros que determina apetite por ativos de risco.

O preço recuou de pico de US$ 82 mil alcançado em 13 de setembro para zona de US$ 76 mil-US$ 77 mil, onde encontrou suporte técnico. Analistas apontam preocupação com persistência de inflação nos Estados Unidos e possibilidade de Fed manter juros altos por período prolongado.

Mercados precificam 62% de probabilidade de corte de 25 pontos-base na reunião de setembro do Fed, segundo plataforma Polymarket. Cenário de corte mais agressivo de 50 pontos-base caiu para 38% após dados de inflação de agosto superarem expectativas. Bitcoin historicamente se beneficia de ciclos de afrouxamento monetário.

Pressão vendedora de ETFs

ETFs de Bitcoin à vista registraram saídas líquidas de US$ 211 milhões na semana encerrada em 13 de setembro, após falha do Clarity Act no Senado americano. A legislação proposta criaria framework regulatório claro para criptoativos, mas foi rejeitada por margem estreita.

O fundo IBIT da BlackRock, maior ETF de Bitcoin por ativos sob gestão, perdeu US$ 87 milhões em uma única sessão após rejeição do Clarity Act. Grayscale Bitcoin Trust registrou saídas de US$ 64 milhões no mesmo período, sinalizando realização de lucros por investidores institucionais.

Para investidores brasileiros, ETFs americanos de Bitcoin oferecem exposição regulamentada sem necessidade de custódia direta. Porém, acesso exige conta em corretora internacional ou instrumentos derivativos via B3, que adicionam camada de custo e complexidade tributária sob regras da Receita Federal.

Suportes técnicos testados

Bitcoin quebrou três suportes consecutivos na semana de 9 a 13 de setembro, segundo análise técnica publicada em veículos especializados. Níveis de US$ 80 mil, US$ 78.500 e US$ 77 mil foram rompidos com volume crescente, indicando capitulação de holders de curto prazo.

O suporte atual em US$ 76 mil coincide com média móvel de 200 dias e zona de liquidez histórica. Perda deste nível expõe Bitcoin a movimento corretivo até US$ 72 mil, onde se concentra demanda institucional acumulada durante consolidação de julho e agosto de 2026.

Resistência imediata permanece em US$ 78.500, agora atuando como teto após servir como piso. Rompimento com volume exige catalisador forte, como dados de inflação abaixo de projeções ou mudança de tom do Fed em direção dovish nas comunicações de setembro.

Contexto macroeconômico pesa

Tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã adicionam volatilidade ao mercado cripto. Confronto militar direto em início de setembro elevou aversão a risco e provocou saída temporária de capital de ativos especulativos, incluindo Bitcoin e altcoins.

Dólar forte prejudica ativos denominados em moeda americana. Índice DXY subiu 2,1% no mês de setembro até dia 18, refletindo expectativas de manutenção de juros altos nos EUA enquanto outros bancos centrais relaxam política monetária. Real brasileiro também sofreu depreciação de 3,4% frente ao dólar no mesmo período.

Mineradores de Bitcoin enfrentam pressão de custos. Hashrate da rede atingiu recorde próximo de 750 EH/s em setembro, elevando dificuldade de mineração. Combinado com hashprice em US$ 42 por petahash/segundo, margens de mineradores marginal is se aproximam de ponto de inviabilidade, potencialmente forçando capitulação e venda de reservas.

Investidores devem monitorar reunião do Fed em 19 e 20 de setembro. Comunicado pós-reunião e entrevista do presidente Jerome Powell determinarão se Bitcoin rompe resistência de US$ 78.500 ou testa suporte de US$ 72 mil nas próximas semanas. Ambiente de juros altos permanece como principal vento contrário para ativos de risco em última parte de 2026.

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