O Bitcoin recuou para a faixa de US$ 77 mil no fechamento de 12 de setembro, pressionado pela expectativa de que o Federal Reserve pode elevar os juros nos Estados Unidos. Segundo a bitnoticias, a maior criptomoeda era negociada a cerca de US$ 77.274, aproximadamente R$ 394.747, com queda de 3,2% na semana. O movimento veio depois de um dado de inflação mais forte que o esperado e às vésperas da reunião do banco central americano.
A leitura do mercado mudou rápido. Na véspera, em 11 de setembro, a Exame registrava o Bitcoin perto de US$ 78.465, em alta no dia. A virada para baixo acompanhou o aumento das apostas de que o Fed vai apertar, e não afrouxar, a política monetária na decisão marcada para 15 e 16 de setembro.
O que os dados de inflação mudaram
O gatilho foi a inflação ao consumidor nos Estados Unidos. De acordo com a Exame, o CPI de agosto avançou 0,4% no mês e 3,4% em doze meses, bem acima da meta de 2% perseguida pelo Fed. Um número persistente como esse reduz o espaço para corte de juros e reforça o cenário de aperto.
As probabilidades embutidas nos mercados de previsão reagiram na hora. A Exame citou cerca de 82% de chance de alta de juros na plataforma Polymarket em 11 de setembro. No dia seguinte, a bitnoticias mencionou cálculos do Goldman Sachs que colocavam a probabilidade em torno de 86,5%. As duas medidas apontam na mesma direção: o consenso migrou para a expectativa de juros maiores.
Por que uma alta de juros pesa sobre o Bitcoin
Juros mais altos nos Estados Unidos costumam fortalecer o dólar e encarecer o custo de oportunidade de manter ativos que não pagam rendimento fixo. O Bitcoin, que se comporta como ativo de risco na maior parte do tempo, tende a sofrer quando o dinheiro fica mais caro e o investidor global reduz exposição a apostas mais voláteis.
O detalhe que chama atenção nesta reunião é a inversão do roteiro habitual. Em boa parte de 2024 e 2025, o mercado cripto subiu na expectativa de cortes. Agora, a discussão é sobre uma possível elevação, algo que muda o humor de quem monta posição olhando o calendário do Fed.
Ainda assim, analistas ouvidos pela Exame veem a estrutura de médio prazo intacta. Noah Cheung, country manager da Bitget no Brasil, observou que o Bitcoin seguia acima das médias móveis exponenciais de 50, 100 e 200 dias, concentradas entre cerca de US$ 70,8 mil e US$ 72,9 mil. Vinicius Bazan, da Underblock, avaliou que o maior movimento deve vir da própria decisão do FOMC, que pode se mostrar mais negativa do que positiva no curto prazo.
O ângulo do investidor brasileiro
Para quem investe do Brasil, o efeito chega por dois caminhos. O primeiro é o câmbio: um dólar mais forte tende a valorizar em reais a parcela da carteira exposta a ativos dolarizados, mesmo quando o preço em dólar cai. Foi o que aconteceu com o Bitcoin cotado acima de R$ 390 mil enquanto recuava em dólar.
O segundo caminho é o apetite por risco. Com a Selic em patamar elevado, o investidor brasileiro já convive com renda fixa atraente, e um aperto nos Estados Unidos aumenta a concorrência global por capital seguro. Isso não determina o rumo do Bitcoin, mas ajuda a explicar por que o mercado fica mais sensível a cada dado macro divulgado lá fora.
Os números da semana
O quadro abaixo reúne os preços informados pela bitnoticias no fechamento de 12 de setembro, úteis para dimensionar o movimento sem tratar qualquer cotação como definitiva.
| Ativo | Preço em 12 de setembro |
|---|---|
| Bitcoin | US$ 77.274 |
| Ethereum | US$ 2.525 |
| Solana | US$ 101,78 |
| XRP | US$ 1,37 |
| BNB | US$ 727,57 |
A capitalização total do mercado estava em torno de US$ 1,55 trilhão, com o Bitcoin respondendo por cerca de 58,2% do valor, ainda de acordo com a bitnoticias. A partir de 15 de setembro, a atenção se volta para o comunicado do Fed, que deve ditar o tom das próximas sessões.