ETFs de Bitcoin e Ethereum perdem US$ 1 bilhão em outubro

ETFs de Bitcoin e Ethereum dos Estados Unidos registram saídas líquidas superiores a US$ 1 bilhão em outubro. BlackRock concentra 88% dos resgates de Ethereum.

Rafael Andrade Mercados

Os ETFs de Bitcoin e Ethereum dos Estados Unidos registraram saídas líquidas combinadas superiores a 1 bilhão de dólares em outubro de 2026, marcando a maior onda de resgates desde junho. Apesar do volume de saídas, os ativos líquidos totais dos fundos permanecem acima de 120 bilhões de dólares, segundo dados da Farside Investors compilados até 11 de outubro.

A semana de 7 a 11 de outubro viu os ETFs de Bitcoin perderem 678,9 milhões de dólares, revertendo a entrada líquida de 241,1 milhões da semana anterior. A quarta-feira, 9 de outubro, registrou a maior saída diária única com 484,9 milhões de dólares, seguida por 244,1 milhões na quinta-feira.

BlackRock concentra saídas de Ethereum

Os ETFs de Ethereum enfrentaram nove sessões consecutivas de saídas a partir de 29 de setembro, totalizando aproximadamente 700 milhões de dólares. O ETHA da BlackRock respondeu por 477,1 milhões de dólares em resgates semanais, representando 88% das saídas totais de Ethereum. Na terça-feira, 8 de outubro, o ETHA sozinho perdeu 201,9 milhões de dólares.

O MSSE da Morgan Stanley foi o único fundo de Ethereum positivo na semana, com entrada de 1,3 milhão de dólares. Os ativos líquidos totais dos ETFs de Ethereum caíram para cerca de 15,6 bilhões de dólares, comparados a aproximadamente 105 bilhões em fundos de Bitcoin.

Para investidores brasileiros, a concentração de saídas em um único emissor levanta questões sobre o comportamento institucional. A BlackRock domina o mercado de ETFs de cripto nos Estados Unidos, e movimentos dessa magnitude sugerem reposicionamento de grandes carteiras em vez de pânico de varejo.

Bitcoin mostra reversão parcial na sexta-feira

Apesar da sequência negativa, os ETFs de Bitcoin registraram uma pequena entrada líquida de 21,1 milhões de dólares na sexta-feira, 11 de outubro, liderada pelo IBIT da BlackRock. O FBTC da Fidelity teve saída de 380,3 milhões de dólares na semana, enquanto o ARKB da ARK 21Shares perdeu 207,2 milhões.

O IBIT da BlackRock registrou apenas 1,1 milhão em entrada líquida semanal, após uma saída de 207,7 milhões na quarta-feira. Esse padrão de volatilidade diária dentro de fundos grandes indica que as saídas não seguem uma tendência linear, mas respondem a movimentos de preço de curto prazo.

O preço do Bitcoin caiu para uma baixa de 80.427 dólares na quinta-feira, 10 de outubro, antes de se recuperar acima de 82 mil dólares. A coincidência entre saídas de ETF e quedas de preço sugere que os resgates refletem redução de risco em vez de rotação para outros ativos, segundo análise do CryptoQuant.

Outros ETFs de cripto seguem tendência negativa

Os ETFs de Solana perderam 25 milhões de dólares ao longo de cinco sessões negativas, principalmente do BSOL da Bitwise. Os produtos de Zcash registraram saída de 30,8 milhões na semana, somando-se aos 77,6 milhões da semana anterior, para um total de 108,4 milhões em duas semanas. Os fundos de Hyperliquid tiveram saída de 9,4 milhões.

A simultaneidade de saídas em todas as categorias de ETFs de cripto não ocorria desde o verão de 2026. Historicamente, períodos de grandes resgates coincidiram com mínimos locais de preço, sugerindo que os fundos podem estar próximos de um ponto de inflexão.

Contexto para investidores brasileiros

Enquanto os ETFs dos Estados Unidos enfrentam saídas, o Brasil ainda aguarda a autorização de produtos similares pela CVM. O Banco Central regula prestadoras de serviços de ativos virtuais desde fevereiro de 2026, mas fundos de índice negociados em bolsa de criptomoedas permanecem sem aprovação.

A volatilidade de fluxos observada nos ETFs americanos demonstra que esses produtos não eliminam oscilações de curto prazo, mesmo com acesso institucional. Para corretoras brasileiras que buscam autorização do Banco Central até 30 de outubro, a experiência americana oferece uma visão realista do comportamento de investidores quando produtos regulados enfrentam mercados em queda.

O volume total negociado na segunda-feira, 14 de outubro, foi de 1,23 bilhão de dólares, comparado a 3,18 bilhões em 8 de outubro. Essa queda na atividade de negociação, combinada com saídas persistentes, indica que a recuperação do Bitcoin acima de 82 mil dólares veio principalmente de compras à vista em corretoras, não de novos fluxos para ETFs.

A Glassnode afirma que o rompimento recente do Bitcoin precisa de volume à vista mais forte e retomada de compras via ETF para demonstrar suporte real. Até que os fluxos para ETFs se estabilizem, a sustentabilidade de ganhos de preço permanece incerta.

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