Ethereum sob pressão com saídas de ETFs e BitMine próxima do limite

O Ethereum caiu abaixo de US$ 2.600 em 7 e 8 de outubro com saídas de US$ 362 milhões dos ETFs e a BitMine próxima de seu limite de 5% da oferta circulante.

Beatriz Salgado Análise

O Ethereum enfrentou pressão de venda concentrada em 7 e 8 de outubro de 2026, com o preço caindo abaixo de US$ 2.600 pela primeira vez desde meados de setembro. A movimentação coincidiu com saídas líquidas de US$ 362,66 milhões dos ETFs de Ethereum em apenas dois dias, enquanto a BitMine anunciou que interromperá a acumulação de ETH ao atingir 5% da oferta circulante.

A empresa de mineração e investimento em criptomoedas detém aproximadamente 6,016 milhões de ETH em 8 de outubro, equivalente a 4,9% da oferta circulante, e precisa adquirir apenas 100 mil tokens adicionais para alcançar seu limite autoimposto. A BitMine esclareceu que não planeja vender suas participações existentes, mas a perspectiva de redução na demanda institucional contribuiu para o sentimento negativo.

Reversão do fluxo de ETFs

Os ETFs de Ethereum registraram saídas líquidas de US$ 201,89 milhões em 6 de outubro e US$ 160,77 milhões em 7 de outubro, segundo dados da SoSoValue. O movimento marcou o sétimo dia consecutivo de resgates líquidos até 7 de outubro, revertendo a tendência de entradas que havia levado os ETFs de Ethereum a superar Bitcoin em captação de 2026 no início do mês.

A mudança de fluxo ocorreu em conjunto com a escalada das tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, que elevaram o petróleo Brent para acima de US$ 100 o barril, e com o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos em direção a 5,36%. Esses fatores macroeconômicos reduziram o apetite por ativos de risco em geral.

Liquidações e níveis técnicos

A queda do Ethereum desencadeou cerca de US$ 252 milhões em liquidações de contratos futuros em 24 horas, dos quais aproximadamente US$ 238,1 milhões eram posições compradas (long). O volume de liquidações indica que traders estavam posicionados para uma alta que não se materializou.

Os níveis de suporte imediato estão entre US$ 2.548 e US$ 2.560, com suporte crítico na média móvel exponencial de 50 dias, próxima de US$ 2.500 a US$ 2.503. Uma quebra abaixo dessa zona levaria o Ethereum para a próxima área de demanda importante entre US$ 2.330 e US$ 2.355, com suporte diário mais amplo entre US$ 2.200 e US$ 2.204.

Contexto da adoção institucional

A interrupção planejada das compras pela BitMine representa uma mudança simbólica na narrativa de acumulação institucional. Embora a empresa tenha esclarecido que não venderá suas participações, a ausência de compras de grande volume remove uma fonte de suporte de preço que vinha operando desde o início de 2025.

A estratégia da BitMine de limitar sua participação a 5% da oferta circulante contrasta com a abordagem da Strategy (anteriormente MicroStrategy) em relação ao Bitcoin, que continua acumulando sem teto definido. A diferença pode refletir tanto considerações regulatórias quanto a natureza distinta do Ethereum como plataforma de contratos inteligentes, onde concentração excessiva poderia gerar preocupações de governança.

Migração para Layer 2 e dinâmica de demanda

Base e Arbitrum concentram 77% do mercado Layer 2 do Ethereum, processando volumes significativos de transações que antigamente ocorreriam na rede principal. Essa migração reduz a demanda por ETH como token de pagamento de taxas de gas, embora teoricamente aumente a demanda por espaço de bloco para provas de validação.

O efeito líquido sobre o preço do ETH permanece ambíguo. As taxas do Ethereum forçam migração para Layer 2, mas essa migração não gerou o aumento proporcional na queima de ETH que alguns analistas haviam projetado. A taxa de queima permanece abaixo dos níveis observados durante os picos de atividade de NFTs em 2024 e início de 2025.

Perspectivas e riscos

A combinação de saídas de ETFs, redução da demanda institucional e pressão macroeconômica cria um cenário desafiador para o Ethereum no curto prazo. O próximo upgrade Pectra, previsto para fevereiro ou março de 2027, pode funcionar como catalisador técnico, mas até lá o mercado dependerá de melhorias nas condições macroeconômicas.

Para investidores brasileiros, a correlação entre Ethereum e mercados tradicionais permanece elevada. O Nasdaq caiu 1,8% em 8 de outubro, refletindo a mesma aversão a risco que atingiu as criptomoedas. A Selic em 10,75% ao ano torna o custo de oportunidade de manter ativos voláteis sem rendimento mais elevado, especialmente em um ambiente de incerteza global.

O suporte em US$ 2.500 será testado nos próximos dias. Uma sustentação acima desse nível poderia abrir espaço para recuperação em direção a US$ 2.700, enquanto uma quebra confirmada sinalizaria potencial de queda até a zona de US$ 2.200, onde compradores institucionais haviam acumulado posições em agosto e setembro.

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