Hashprice do Bitcoin Sobe 22% e Reanima Equipamentos Antigos

Hashprice do Bitcoin subiu 22% para US$ 39,63 por PH/s em setembro de 2026, tornando viável reativar equipamentos de mineração mais antigos.

Rafael Andrade Mercados

Hashprice do Bitcoin subiu 22% em trinta dias, passando de US$ 32,42 para US$ 39,63 por PH/s por dia em 18 de setembro de 2026, segundo dados da OneMiners. Aumento na lucratividade de mineração coincide com recuperação do preço de Bitcoin e queda de 13% na dificuldade de rede desde pico de 2026, reanimando equipamentos antigos que estavam desligados.

Hashrate da rede permaneceu estável próximo de 934 EH/s, oscilando entre 906 EH/s e 940 EH/s, sem estabelecer novos recordes há aproximadamente 320 dias. Estagnação do hashrate apesar de melhoria na lucratividade reflete realocação de capital de mineradores para computação de inteligência artificial e mineração com GPUs.

Fatores por trás do aumento

Hashprice é calculado dividindo receita de mineração por quantidade de poder computacional, sendo quase inteiramente função do preço de Bitcoin dividido por quantidade de competição na rede. Recuperação de Bitcoin de US$ 72 mil em junho para US$ 78 mil em 18 de setembro foi principal motor da melhoria.

Dificuldade de rede caiu de 146,47T no pico de 2026 para 127,45T no ajuste de 6 de setembro, redução de 13% que aumentou receita individual de cada minerador. Taxas de transação contribuíram apenas 0,43% da receita total de mineradores, mantendo bloco reward de 3,125 BTC como fonte dominante de ganhos.

Reativação de equipamentos antigos

Melhoria de 22% no hashprice tornou economicamente viável reativar modelos de ASIC mais antigos que foram desligados quando lucratividade caiu abaixo de custo de eletricidade. Equipamentos como Antminer S19 (lançado em 2020) voltaram a operar em regiões com eletricidade abaixo de US$ 0,05 por kWh.

No entanto, hashrate total não cresceu proporcionalmente porque mineradores maiores realocaram capacidade para mineração de tokens alternativos e computação de IA. Kaspa, Alephium e outros projetos proof-of-work atraíram hashrate que anteriormente focava exclusivamente em Bitcoin.

Impacto regional e concentração

Estados Unidos mantêm aproximadamente 38% do hashrate global de Bitcoin em setembro de 2026, seguidos por Cazaquistão com 18% e Rússia com 14%, segundo estimativas do Cambridge Centre for Alternative Finance. Brasil representa menos de 2% do hashrate global, concentrado em regiões com energia hidrelétrica barata.

Top dois pools de mineração controlam 44% do hashrate total, levantando preocupações sobre centralização. Três reorganizações de blockchain ocorreram em setembro de 2026, a terceira vez em um mês que pools dominantes mineram blocos conflitantes, embora nenhuma tenha resultado em gasto duplo ou perda de fundos.

Margens de lucratividade

Mineradores com custo de eletricidade abaixo de US$ 0,04 por kWh operam com margens acima de 40% no hashprice atual de US$ 39,63. Equipamentos mais eficientes como Antminer S21 e WhatsMiner M60 alcançam margens superiores a 50% nessa faixa de custo energético.

Mineradores com eletricidade acima de US$ 0,08 por kWh enfrentam margens abaixo de 15%, tornando operação vulnerável a quedas no preço de Bitcoin. Muitos desses mineradores migraram para hosting em data centers especializados em regiões com energia mais barata ou saíram do mercado.

Competição com mineração de IA

Realocação de capital para GPUs e computação de IA limitou expansão do hashrate de Bitcoin apesar de melhoria na lucratividade. Mineração de tokens como Kaspa oferece retornos comparáveis com hardware GPU que também serve para inferência de modelos de linguagem e outras cargas de trabalho de IA.

Segundo OneMiners, "realocação de capital para mineração de IA/GPU limitou recuperação do hashrate apesar de lucratividade melhorada". Mineradores avaliam custo de oportunidade entre dedicar equipamento exclusivamente a Bitcoin ou manter flexibilidade para alternar entre criptomoedas e computação de IA conforme margens flutuam.

Projeções para próximos ajustes

Próximo ajuste de dificuldade está previsto para 20 de setembro de 2026, com estimativa de aumento de 2% baseado na velocidade atual de blocos. Se hashprice se mantiver acima de US$ 39 por PH/s, mais equipamentos antigos devem voltar a operar nas próximas semanas.

Analistas apontam que hashprice precisa sustentar acima de US$ 35 por PH/s para evitar nova onda de desligamentos de equipamentos menos eficientes. Cenário base para quarto trimestre de 2026 projeta hashprice entre US$ 37 e US$ 42, assumindo preço de Bitcoin na faixa de US$ 75 mil a US$ 82 mil.

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