Hashrate do Bitcoin atinge 1 zettahash mas preço desconecta

Rede Bitcoin alcançou 1 zettahash em setembro de 2026 mas preço próximo a US$ 77 mil rompe correlação histórica entre hashrate e valorização.

Rafael Andrade Mercados

Hashrate do Bitcoin atinge 1 zettahash mas preço não acompanha tendência histórica

A rede Bitcoin tocou aproximadamente 1.001 exahashes por segundo em 4 de setembro de 2026, cruzando pela primeira vez a marca simbólica de 1 zettahash. No entanto, o preço do Bitcoin negociava próximo a US$ 77.200 no final de agosto, rompendo a correlação histórica entre crescimento de hashrate e valorização do ativo.

A média móvel de 7 dias do hashrate pairava perto de 914-915 EH/s no final de agosto de 2026, enquanto a média de 30 dias ficava em torno de 912 EH/s. Comparado a setembro de 2025, quando o hashrate estava em 883,29 milhões de TH/s, a rede adicionou cerca de 100 EH/s em capacidade de processamento ao longo de um ano.

Tradicionalmente, aumentos sustentados no hashrate sinalizavam confiança dos mineradores na rentabilidade futura e precediam movimentos de alta no preço. A quebra dessa correlação em 2026 indica que outros fatores, como custos de energia e disponibilidade de equipamentos novos, estão influenciando decisões de mineração independentemente das expectativas de preço.

Dificuldade cai 19,3% desde pico de outubro de 2025

Apesar do hashrate próximo a máximas históricas, a dificuldade de mineração do Bitcoin estava em 125,81 trilhões em 23 de agosto de 2026, representando uma queda de aproximadamente 19,3% em relação ao pico de 155,97 trilhões registrado em 29 de outubro de 2025.

Essa redução na dificuldade significa que mineradores estão ganhando cerca de 24% mais BTC por terahash na mesma taxa de processamento, comparado ao pico de outubro. A queda ocorreu porque alguns mineradores desligaram equipamentos durante períodos de baixa rentabilidade entre novembro de 2025 e junho de 2026, forçando ajustes automáticos de dificuldade para manter o tempo médio de bloco em 10 minutos.

O hashprice, métrica que mede a receita diária por petahash de capacidade de mineração, recuperou para aproximadamente US$ 38 por PH/s por dia no final de agosto. Esse valor representa um aumento de 39% em relação ao ponto mais baixo de US$ 27,66 registrado no final de junho de 2026, mas ainda está abaixo dos níveis de 2024 quando o hashprice superava US$ 50 regularmente.

Equipamentos antigos voltam a ser rentáveis com queda de dificuldade

A combinação de dificuldade reduzida e hashprice em recuperação tornou equipamentos de mineração mais antigos novamente rentáveis. Modelos de ASICs lançados em 2021 e 2022, que haviam sido desligados durante o período de hashprice baixo em junho, voltaram a operar com margem positiva em agosto.

Essa reativação de equipamentos antigos contribui para o aumento do hashrate total mesmo sem grandes investimentos em novos ASICs. Mineradores que mantiveram equipamentos mais antigos armazenados conseguem ativá-los rapidamente quando as condições econômicas melhoram, adicionando capacidade de processamento à rede sem incorrer em novos custos de capital.

Fabricantes de ASICs como Bitmain, MicroBT e Canaan reportaram vendas mais fracas no segundo trimestre de 2026 comparado ao mesmo período de 2025, indicando que o crescimento do hashrate está vindo principalmente de equipamentos existentes sendo religados, não de expansão de capacidade com hardware novo.

Custos de energia determinam geografia da mineração em 2026

A distribuição geográfica da mineração de Bitcoin em 2026 reflete diretamente o custo de energia elétrica por quilowatt-hora. Estados Unidos e Cazaquistão lideram em participação de hashrate, enquanto países com energia subsidiada como Venezuela e Irã mantêm operações menores mas com margens mais altas.

No Brasil, a mineração de Bitcoin permanece concentrada em estados com tarifas industriais mais baixas e disponibilidade de energia hidrelétrica. Segundo dados da Associação Brasileira de Criptoeconomia, o país representa menos de 1% do hashrate global, limitado principalmente por custos de importação de equipamentos e tributação sobre energia elétrica industrial.

Mineradores brasileiros enfrentam desvantagem competitiva porque a maioria dos ASICs é importada com incidência de impostos federais e estaduais, enquanto concorrentes em jurisdições como Texas e Wyoming operam com incentivos fiscais específicos para data centers. A Receita Federal tributa a atividade de mineração como prestação de serviços, aplicando alíquotas que variam entre 13,33% e 16,33% sobre a receita bruta.

Hashrate como indicador antecedente perde confiabilidade

Analistas que historicamente usavam crescimento de hashrate como indicador antecedente de alta no preço do Bitcoin precisaram revisar modelos em 2026. A correlação que funcionou consistentemente entre 2017 e 2024 quebrou porque mineradores agora tomam decisões baseadas em contratos de energia de longo prazo e financiamento de equipamentos, não apenas em expectativas de preço futuro.

Grandes mineradores públicos como Marathon Digital, Riot Platforms e CleanSpark operam com estratégias de tesouraria que envolvem manter Bitcoin minerado em vez de vender imediatamente. Essa mudança de comportamento reduz a pressão de venda no mercado mas também desconecta as decisões operacionais de mineração das expectativas de preço de curto prazo.

O hashrate em 1 zettahash permanece como evidência de que a segurança da rede Bitcoin está em máxima histórica. No entanto, a utilidade desse dado como sinal de compra para investidores diminuiu em 2026, exigindo análise de métricas adicionais como volume de transações on-chain, fluxos de ETFs e taxas de financiamento em mercados de derivativos.

Aviso legal As informações publicadas na Coinliva têm caráter exclusivamente informativo e não constituem recomendação financeira ou de investimento. As criptomoedas são muito voláteis e envolvem risco. Embora busquemos publicar dados precisos e atualizados, alguns detalhes podem mudar com o tempo. Faça sua própria pesquisa antes de qualquer decisão financeira.