Mercado Bitcoin pede licença ao Banco Central para operar

Mercado Bitcoin protocolou licença PSAV no BC em 27 de outubro, cumprindo prazo até dia 30. Maior corretora brasileira segue estratégia regulatória.

Rafael Andrade Notícias

Mercado Bitcoin protoca pedido de licença para continuar operando criptomoedas no Brasil

Mercado Bitcoin, a maior corretora de criptomoedas sediada no Brasil, protocolou seu pedido de licença junto ao Banco Central do Brasil na terça-feira, 27 de outubro de 2026, cumprindo o prazo regulatório que vence em 30 de outubro. A maior exchange brasileira busca autorização como Prestadora de Serviços de Ativos Virtuais (PSAV), uma classificação separada de sua licença atual como instituição de pagamento.

O movimento marca um ponto de inflexão no mercado cripto brasileiro. Todas as plataformas que já operavam no setor precisam solicitar autorização formal até sexta-feira. Aquelas que não cumprirem o prazo serão consideradas irregulares e perderão o direito de operar legalmente, segundo a Lei 14.478 de 2022, que estabelece o marco legal para criptoativos no Brasil.

Expansão de mercado durante transição regulatória

O timing do pedido de Mercado Bitcoin coincide com uma fase de expansão estratégica da corretora. Nos últimos meses, a MB absorveu significativamente a base de clientes de plataformas internacionais que saíram ou reduziram operações no país. Bitso, exchange mexicana com forte presença brasileira, parou de servir clientes varejo no Brasil e migrou sua operação para foco em empresas. A transferência de cerca de 850 mil usuários para Mercado Bitcoin consolidou a posição da corretora como lider doméstico.

Além da integração de usuários, Mercado Bitcoin avançou sua penetração no setor financeiro tradicional. A corretora fechou acordo para adquirir a operação de assets digitais do Banco Mercantil em 2026, expandindo suas ofertas de produtos além da negociação simples de criptomoedas. A estratégia de crescimento integrado com o sistema financeiro tradicional coloca MB em posição forte para capitalizar a aprovação regulatória.

Diferencial de MB: instituição de pagamento + serviços de ativos

Ao contrário de exchanges puramente especializadas em criptomoedas, Mercado Bitcoin já opera como instituição de pagamento regulada, o que lhe confere vantagens competitivas. O pedido de licença PSAV é complementar e não automático, ou seja, a aprovação de uma não garante a outra. Esse duplo regime regulatório permite que MB ofereça produtos financeiros mais sofisticados do que plataformas que competem apenas na corretagem de ativos virtuais.

A separação legal entre os dois tipos de autorização reflete a estrutura regulatória brasileira: o Banco Central supervisiona instituições de pagamento e serviços de ativos virtuais, enquanto a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) retém autoridade sobre títulos e valores mobiliários. Essa divisão garante que o tipo de produto determine as regras aplicáveis.

Tsunami regulatório: 50+ pedidos em fila

Mercado Bitcoin não está sozinha na corrida contra o prazo. Conforme relatórios do Banco Central, pelo menos 50 empresas confirmaram que apresentarão pedidos de autorização antes de 30 de outubro. Grandes exchanges internacionais como Binance, OKX e Bybit já protocolaram. Plataformas brasileiras emergentes como Foxbit, Ripio, Avenia e Lumx também devem formalizar pedidos em breve. Até mesmo bancos tradicionais como Bradesco, BTG Pactual e Itaú ampliaram seus serviços de ativos digitais.

O volume de aplicações reflete a importância do mercado brasileiro para o setor global de criptomoedas. Com mais de 150 milhões de pessoas e uma população crescentemente adotante de tecnologia financeira, o Brasil é estratégico para exchanges que buscam escala internacional. A oportunidade de regularização antes de restrições regulatórias mais severas incentiva corrida pela licença.

Impacto nos usuários e próximos passos

Se Mercado Bitcoin não obtiver aprovação até 30 de outubro, seus usuários enfrentarão restrições operacionais significativas. A plataforma passaria a ser considerada irregular, o que poderia levar a limitações na oferta de serviços e até encerramento de conta. Não há prazo definido para a análise dos pedidos pelo BC, criando incerteza no mercado.

A estratégia de MB de manter conformidade regulatória enquanto expande sua base de usuários e serviços posiciona a corretora como candidata forte à aprovação. Sua estrutura já estabelecida como instituição de pagamento, investimento em segurança e governança, e integração com o setor financeiro tradicional sugerem alinhamento com os critérios que o BC busca em prestadores de serviços de ativos virtuais. O resultado dessa análise regulatória determinará não apenas o futuro de Mercado Bitcoin, mas também o padrão que o Banco Central aplicará às dezenas de outras empresas em fila.

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