Bitcoin cai 2% com Fed previsto a elevar juros em outubro

Bitcoin caiu 2,1% para US$ 83.462 em 24/09 com Fed tendo 75,3% de chance de elevar juros em outubro, segundo CME FedWatch. Ethereum recuou 2,5%.

Rafael Andrade Mercados

Mercado cripto recua com expectativa de alta do Fed

Bitcoin e Ethereum registraram quedas de 2,1% e 2,5% respectivamente na quinta-feira, 24 de setembro, com o mercado precificando uma alta de juros do Fed em outubro. O Bitcoin abriu em US$ 84.370 e caiu para US$ 83.462 às 7h33 (horário de Nova York), enquanto o Ethereum passou de US$ 2.684 para US$ 2.646 no mesmo período.

Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, há 75,3% de probabilidade de que o Fed eleve os juros em outubro e 58,6% de chances de um segundo aumento em dezembro. A reversão ocorre após os preços se aproximarem das máximas de oito meses no dia anterior.

Inflação reacende temores de política restritiva

As preocupações com a inflação voltaram ao centro das discussões após dados recentes sugerirem pressão persistente nos preços. O mercado cripto, que havia se beneficiado de uma pausa do Fed nos juros nos últimos meses, agora enfrenta a perspectiva de um ambiente monetário mais restritivo até o final do ano.

Para investidores brasileiros, o movimento reflete a sensibilidade do mercado global de criptomoedas à política monetária americana. A alta de juros nos EUA tende a fortalecer o dólar e reduzir o apetite por ativos de risco, categoria na qual Bitcoin e Ethereum ainda são enquadrados por investidores institucionais.

Probabilidades baseadas em contratos futuros

A ferramenta FedWatch calcula as probabilidades de mudanças nas taxas de juros com base nos preços dos contratos futuros de fundos federais negociados na CME. Esses instrumentos refletem as apostas do mercado sobre a direção da política monetária e são considerados um indicador confiável das expectativas dos investidores.

A probabilidade de 75,3% para outubro representa um aumento em relação às semanas anteriores, quando o mercado ainda atribuía chances próximas de 50% para manutenção das taxas. A mudança indica que novos dados econômicos reforçaram a visão de que o Fed precisará agir para conter a inflação.

Volume e liquidações permanecem moderados

Apesar da queda de preços, o volume de negociação permaneceu dentro da média histórica, sem sinais de pânico generalizado. As liquidações de posições alavancadas também ficaram em níveis moderados, sugerindo que a maioria dos traders já havia ajustado suas posições antes do recuo.

Esse comportamento contrasta com episódios anteriores de volatilidade em 2026, quando quedas similares foram acompanhadas de liquidações superiores a US$ 1 bilhão em um único dia. A ausência de movimentos bruscos pode indicar que o mercado já precificou parcialmente o cenário de alta de juros.

Impacto nas corretoras brasileiras

Corretoras de criptomoedas no Brasil, que devem obter autorização do Banco Central até 29 de outubro, acompanham de perto os movimentos do mercado internacional. A queda de preços pode afetar temporariamente os volumes de negociação, mas analistas apontam que o processo de regularização continua avançando independentemente das oscilações de curto prazo.

O cenário de juros mais altos nos EUA também influencia indiretamente as decisões do Banco Central do Brasil, que precisa equilibrar o controle da inflação doméstica com a necessidade de evitar uma valorização excessiva do real frente ao dólar.

Próximos catalisadores no radar

O mercado agora aguarda a divulgação de novos dados de inflação nos EUA, previstos para a primeira semana de outubro, que podem confirmar ou reverter as expectativas atuais de alta de juros. Declarações de membros do Federal Reserve também serão monitoradas de perto pelos investidores.

Enquanto isso, o Bitcoin permanece acima de US$ 80 mil, patamar que vinha sendo defendido como suporte técnico importante desde agosto. Uma quebra sustentada abaixo desse nível poderia acelerar as vendas e testar zonas de demanda próximas a US$ 75 mil.

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