Bitcoin recua para US$ 82,9 mil com tensão no Oriente Médio

Bitcoin caiu 1,8% para US$ 82.957 após Trump rejeitar acordo com Irã. Petróleo acima de US$ 100 e dados de emprego dos EUA aguardados esta semana.

Rafael Andrade Mercados

Tensão geopolítica pressiona Bitcoin enquanto petróleo dispara

O Bitcoin caiu para US$ 82.957 na manhã desta segunda-feira, 28 de setembro, recuando 1,8% em relação ao fechamento anterior de US$ 84.457. A queda coincide com a rejeição do presidente Trump a uma proposta do Irã que buscava encerrar o conflito e reabrir o Estreito de Hormuz em um prazo de sete dias.

A decisão de Trump escalou as tensões no Oriente Médio. O petróleo Brent disparou acima de US$ 100 por barril pela primeira vez em três meses. Com o dólar fortalecido e os rendimentos dos títulos do Tesouro em alta, ativos sem rendimento como criptomoedas e metais preciosos perderam atratividade.

O Ethereum seguiu a mesma trajetória do Bitcoin. A segunda maior criptomoeda por capitalização de mercado caiu para US$ 2.662, uma queda de 0,9% desde a abertura às 7h20 (horário do leste dos EUA). Outras altcoins também registraram perdas, com Solana recuando 1,4% e Cardano caindo 2,1% no mesmo período.

O Estreito de Hormuz concentra cerca de 21% do transporte global de petróleo. Qualquer interrupção no tráfego da região impacta diretamente os preços de energia em escala mundial. A proposta iraniana de sete dias era vista como uma tentativa de desescalar o conflito que já dura nove meses. Com a rejeição, mercados precificam risco elevado de novas sanções e possíveis bloqueios marítimos.

Dados de emprego dos EUA podem definir próxima direção

Investidores aguardam a divulgação de dados econômicos dos Estados Unidos nos próximos dias. Na terça-feira, 1 de outubro, sai o número de pedidos iniciais de seguro-desemprego da semana encerrada em 26 de setembro. Analistas esperam 199 mil pedidos, contra 197 mil da semana anterior.

Na quarta-feira, 2 de outubro, o mercado acompanhará os números de folha de pagamento não-agrícola de setembro. A expectativa é de 84 mil novos empregos, uma queda significativa em relação aos 162 mil registrados em agosto. O ganho médio por hora deve permanecer estável em 0,3% no mês.

Números fracos de emprego podem reforçar a expectativa de que o Federal Reserve mantenha os juros inalterados em outubro. O mercado de futuros já precifica essa probabilidade acima de 70%. Taxas de juros elevadas pesam sobre ativos de risco, mas sinais de desaceleração econômica podem trazer volatilidade adicional para o mercado de criptomoedas.

Correlação com mercados tradicionais aumenta em momentos de crise

A correlação entre Bitcoin e índices de risco tradicionais como o S&P 500 voltou a subir em setembro. Dados da CoinDesk mostram que o coeficiente de correlação de 30 dias entre Bitcoin e o índice acionário americano atingiu 0,68, o maior nível desde julho. Em períodos de crise geopolítica, investidores tratam criptomoedas como ativos de risco, não como refúgio de valor.

O ouro, tradicionalmente visto como hedge em momentos de tensão internacional, também caiu 0,6% para US$ 2.618 por onça troy. O movimento surpreendeu analistas que esperavam fluxo para metais preciosos. A explicação está no fortalecimento do dólar, que subiu 0,4% no índice DXY e torna ativos denominados em dólar mais caros para compradores internacionais.

Investidores brasileiros atentos ao cenário externo

Corretoras brasileiras relatam maior cautela entre investidores locais diante das incertezas internacionais. O recuo do Bitcoin em 25 de setembro já havia sido atribuído às expectativas de alta de juros do Fed em outubro. Agora, a componente geopolítica adiciona mais pressão.

O movimento contrasta com o desempenho dos ETFs de Bitcoin, que voltaram a registrar entradas líquidas positivas em 2026 após captarem US$ 2,4 bilhões. No Brasil, a ausência de produtos regulados equivalentes limita as opções de exposição institucional ao ativo.

Traders brasileiros também observam o movimento do real, que se desvalorizou 0,3% frente ao dólar em 28 de setembro. A combinação de Bitcoin em queda e real mais fraco amplia as perdas para investidores locais que mantêm posições compradas no ativo.

Analistas recomendam atenção aos indicadores macroeconômicos dos EUA. Segundo a CoinDesk, o Bitcoin caiu mais de 2% nas últimas 24 horas e já opera 4% abaixo do pico de US$ 86 mil registrado em 24 de setembro. A semana deve ser marcada por volatilidade enquanto os dados de emprego não forem divulgados.

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