Visa: seguros bancários elevariam adoção de stablecoin para 56%

Pesquisa Visa com 2.000 consumidores mostra que proteção bancária e seguros de depósito elevariam adoção de stablecoin de 36% para 56% nos EUA.

Rafael Andrade Notícias

Pesquisa com 2.000 consumidores revela barreiras de adoção

Uma pesquisa divulgada pela Visa em 24 de setembro mostra que a adoção de stablecoin nos Estados Unidos poderia aumentar de 36% para 56% se essas criptomoedas oferecessem proteção contra fraudes e seguros de depósitos comparáveis aos serviços bancários tradicionais. O levantamento, realizado com mais de 2.000 consumidores americanos, concentrou-se em remessas e pagamentos internacionais, segmentos onde stablecoins competem diretamente com serviços tradicionais de transferência.

Atualmente, 36% dos entrevistados afirmam que usariam stablecoin para transferências transfronteiriças. No entanto, esse número salta para 56% quando a pesquisa incluiu a hipótese de proteções bancárias, e para 45% se a oferta viesse de instituições tradicionais. Os dados indicam que a confiança ainda é o principal obstáculo para a adoção em massa de stablecoin como alternativa aos sistemas de pagamento convencionais.

Bancos tradicionais lideram confiança do consumidor

A pesquisa revelou que 61% dos consumidores confiam em bancos tradicionais para serviços de moeda digital, enquanto 60% confiam em redes globais de pagamento como a própria Visa. Quase dois terços dos entrevistados afirmaram que a confiabilidade do provedor importa mais do que a tecnologia subjacente.

Vira Platonova, diretora global da Visa Direct, destacou em comunicado que "o futuro da indústria será conquistado pelos provedores que trabalharem mais arduamente para conquistar essa confiança". A executiva enfatizou que proteções ao consumidor serão decisivas para a expansão do mercado de stablecoins.

Proteções hipotéticas ainda sem implementação

A Visa propõe que stablecoins incluam proteção contra fraudes comparável aos padrões bancários e seguro de depósitos semelhante ao oferecido por instituições tradicionais. No entanto, o relatório reconhece que essas proteções são atualmente hipotéticas, já que stablecoins não contam com cobertura do FDIC, o fundo garantidor de depósitos dos Estados Unidos.

A ausência de garantias governamentais é um dos principais pontos de atrito entre reguladores e emissores de stablecoins. Enquanto empresas como Circle e Tether afirmam manter reservas completas em dólares e títulos de baixo risco, a falta de auditoria independente e de proteção formal ao consumidor continua gerando ceticismo.

Desinformação e golpes afetam percepção

A pesquisa também identificou que mais de 50% dos americanos ainda não estão familiarizados com ativos cripto atrelados ao dólar. Entre os que conhecem, 36% já encontraram golpes de pagamento transfronteiriço, 44% se preocupam com deepfakes de inteligência artificial imitando familiares, e 24% receberam mensagens de golpe geradas por IA que pareciam autênticas.

Esses dados reforçam a necessidade de educação financeira e medidas de proteção mais robustas antes que stablecoins possam ser consideradas uma alternativa viável aos sistemas de pagamento tradicionais pela população em geral.

Implicações para o mercado brasileiro

No Brasil, o debate sobre stablecoins ganha contornos próprios com a atuação do Banco Central na regulação de ativos virtuais e a discussão sobre o papel do Pix como sistema de pagamentos instantâneos. O real digital, ainda em fase de testes, pode competir diretamente com stablecoins atreladas ao dólar em casos de uso domésticos.

Corretoras brasileiras que operam com stablecoins monitoram de perto as discussões regulatórias internacionais, especialmente aquelas relacionadas a reservas fracionárias e segregação de ativos. A Receita Federal já exige declaração de operações com criptomoedas, incluindo stablecoins, desde a Instrução Normativa 1.888.

Stablecoins dominam volumes globais

Stablecoins movimentaram mais de US$ 320 bilhões em volume global no terceiro trimestre de 2026, com USDT e USDC controlando mais de 80% do mercado. Apesar dos números expressivos, a adoção entre consumidores não-especializados permanece limitada pela complexidade técnica e pela falta de garantias regulatórias.

A proposta da Visa pode sinalizar o início de uma convergência entre o sistema financeiro tradicional e a infraestrutura cripto, caso reguladores americanos avancem com frameworks que permitam proteções bancárias para ativos digitais sem comprometer a inovação do setor.

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