Base e Arbitrum dominam 77% do mercado Layer 2 do Ethereum

Base controla 46,58% e Arbitrum 30,86% do TVL em DeFi Layer 2, enquanto mais de 50 rollups competem pelos 23% restantes do mercado Ethereum.

Rafael Andrade Tecnologia

Base e Arbitrum dominam 77% do mercado Layer 2 do Ethereum

Duas redes de segunda camada controlam mais de três quartos do ecossistema DeFi em Layer 2 do Ethereum. Base, lançada pela Coinbase, detém 46,58% do valor total bloqueado (TVL) em protocolos DeFi de segunda camada, enquanto Arbitrum mantém 30,86%, segundo dados de fevereiro de 2026.

Para usuários brasileiros de DeFi, essa consolidação significa maior liquidez concentrada em plataformas mais estáveis. Protocolos como Uniswap, Aave e Curve operam em ambas as redes, oferecendo taxas de transação inferiores a R$ 0,50 em comparação com R$ 15 a R$ 40 na mainnet do Ethereum.

Mais de 50 rollups competem por sobras do mercado

Enquanto Base e Arbitrum prosperam, dezenas de outras soluções Layer 2 lutam por relevância. Mais de 50 rollups públicos compartilham os 23% restantes do mercado, enfrentando uma realidade em que escala e efeitos de rede determinam sobrevivência.

Optimism, a terceira maior Layer 2, possui aproximadamente 6% do TVL com 82.130 endereços ativos diários. Apesar de crescimento de 38,2% em usuários ativos semanais (422.170), a rede permanece distante dos líderes em volume absoluto.

Atividade de usuários reflete concentração

Base processa mais de 50 milhões de transações mensais com mais de 1 milhão de endereços ativos diários. Arbitrum registra 1,5 milhão de transações diárias com 250.000 a 300.000 usuários ativos por dia. Esses números superam a soma de todas as outras Layer 2 combinadas.

A concentração de atividade cria um ciclo de reforço. Desenvolvedores lançam aplicações onde os usuários estão, e usuários migram para redes com maior variedade de protocolos. Projetos que implantaram em múltiplas Layer 2 relatam que 80% do volume vem de Base e Arbitrum.

Custo de transação comparado

As taxas médias variam conforme a congestão da mainnet. Durante períodos de alta atividade na rede Ethereum, uma swap em Uniswap pode custar US$ 3 a US$ 8 na mainnet. A mesma transação custa US$ 0,10 a US$ 0,30 em Arbitrum e US$ 0,05 a US$ 0,15 em Base.

Para investidores brasileiros que operam com volumes menores, a diferença é determinante. Uma estratégia de yield farming que exige rebalanceamento semanal se torna inviável na mainnet quando as taxas consomem mais de 5% do capital, mas permanece lucrativa em Layer 2.

Segurança e descentralização

Em janeiro de 2026, Arbitrum, Optimism e Base atingiram o estágio 1 de provas de fraude, segundo classificação da Fundação Ethereum. Isso significa que as três redes podem processar saques sem depender de um multisig controlado pela equipe de desenvolvimento.

Usuários que depositam fundos em bridges para essas Layer 2 podem confiar que os contratos inteligentes, não administradores, controlam o acesso aos ativos. Essa melhoria de segurança ocorreu após críticas de que muitas Layer 2 operavam como sidechains centralizadas.

Implicações para DeFi no Brasil

Protocolos DeFi acessados por brasileiros, como exchanges descentralizadas, plataformas de empréstimo e mercados de NFT, concentram-se cada vez mais em Base e Arbitrum. A liquidez fragmentada em dezenas de redes menores dificulta a descoberta de preço e aumenta o slippage.

Corretoras brasileiras ainda não oferecem acesso direto a Layer 2. Usuários precisam fazer bridge de seus tokens da mainnet ou de exchanges centralizadas para as redes de segunda camada usando ferramentas como a Arbitrum Bridge oficial ou serviços agregadores como o Jumper Exchange.

Perspectiva de consolidação até o final de 2026

Analistas preveem que até três plataformas dominarão o mercado Layer 2 até dezembro de 2026. A maioria dos rollups menores enfrenta um dilema: atrair usuários exige incentivos financeiros insustentáveis, mas sem usuários não há receita de taxas para financiar a operação.

zkSync e Polygon zkEVM competem como alternativas baseadas em zero-knowledge proofs, oferecendo finalização mais rápida que rollups otimistas. No entanto, sua participação de mercado combinada permanece abaixo de 10%, limitada pela complexidade técnica e menor compatibilidade com ferramentas Ethereum existentes.

A estratégia de Vitalik Buterin, co-fundador do Ethereum, de uma roadmap centrada em rollups significa que a camada base prioriza segurança e descentralização, delegando escalabilidade para Layer 2. Esse design consolida poder nas redes que alcançam escala primeiro.

Regulação e conformidade

O Banco Central do Brasil não distingue entre transações na mainnet e em Layer 2 para fins regulatórios. Corretoras autorizadas que oferecerem acesso a redes de segunda camada estarão sujeitas às mesmas regras de KYC e prevenção à lavagem de dinheiro.

A Receita Federal tributa ganhos de capital em criptomoedas independentemente da rede em que ocorreram. Transações entre Layer 1 e Layer 2 não geram fato gerador para imposto de renda, apenas conversões para real ou outras moedas fiduciárias.

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