ETFs de Bitcoin concentram em BlackRock e Fidelity com queda de 76%
Os fluxos de entrada para fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin caíram 76,1% em 4 de setembro de 2026, recuando de US$ 730,8 milhões para US$ 174,6 milhões. Apenas dois provedores registraram entradas positivas: BlackRock com US$ 117,4 milhões e Fidelity com US$ 57,2 milhões.
Outros dez produtos, incluindo BITB da Bitwise, ARKB da ARK Invest e GBTC da Grayscale, apresentaram fluxo líquido zero. Essa concentração sinaliza que investidores institucionais preferem os dois maiores gestores de ativos do mundo para exposição a Bitcoin.
Consolidação do mercado de ETFs de Bitcoin
No dia anterior, 3 de setembro, sete dos doze ETFs rastreados mostraram ganhos. Em 24 horas, esse número caiu para dois. A mudança reflete preferência crescente por fundos com maior liquidez e spreads mais apertados.
O IBIT da BlackRock administra mais de US$ 21 bilhões em ativos sob gestão, tornando-se o maior ETF de Bitcoin dos Estados Unidos. O FBTC da Fidelity possui aproximadamente US$ 11 bilhões. Juntos, esses dois fundos controlam mais de 60% do mercado total de ETFs spot de Bitcoin.
Impacto para investidores brasileiros
Brasileiros não podem comprar ETFs de Bitcoin americanos diretamente devido a restrições da CVM. BDRs (Brazilian Depositary Receipts) desses ETFs também não estão disponíveis na B3. A alternativa é abrir conta em corretora internacional autorizada pela CVM a operar no exterior.
Corretoras como Avenue, Inter e C6 Bank oferecem acesso ao mercado americano para pessoas físicas. No entanto, investimentos em ETFs estrangeiros exigem declaração anual para a Receita Federal através da ficha Bens e Direitos, código 81.
Por que BlackRock e Fidelity dominam
A taxa de administração do IBIT é de 0,12% ao ano, entre as mais baixas do mercado. O FBTC cobra 0,25%. ETFs menores cobram até 0,50%, tornando-se menos competitivos para holdings de longo prazo.
Liquidez também importa. O IBIT negocia mais de US$ 1 bilhão em volume diário. Spreads entre compra e venda raramente excedem 0,05%. ETFs menores apresentam spreads de 0,15% a 0,30%, custando mais caro para entrar e sair de posições.
Instituições exigem produtos de gestores com histórico comprovado. BlackRock administra US$ 10 trilhões globalmente. Fidelity possui US$ 4,5 trilhões. Gestores menores enfrentam maior escrutínio de compliance, dificultando aprovações internas.
Contexto do mercado cripto em setembro
A queda de fluxos para ETFs de Bitcoin coincide com expectativas de alta adicional de juros pelo Federal Reserve. O Bitcoin negociava a US$ 76.334 em 17 de setembro, mantendo-se estável apesar da pressão sobre ativos de risco.
ETFs de Ethereum enfrentam situação similar. Apenas o ETHA da BlackRock registrou entradas significativas em setembro, enquanto produtos de gestores menores apresentaram saídas líquidas.
Perspectiva para o quarto trimestre
Analistas preveem que a consolidação continuará. ETFs com ativos sob gestão abaixo de US$ 500 milhões enfrentam custos fixos desproporcionais. Alguns podem fechar ou se fundir com produtos maiores até o final de 2026.
A SEC aprovou doze ETFs de Bitcoin em janeiro de 2024, mas o mercado está demonstrando capacidade apenas para três ou quatro produtos viáveis. A competição migrou de aprovação regulatória para escala operacional.
Para investidores brasileiros interessados em exposição institucional ao Bitcoin, fundos brasileiros de criptoativos oferecem alternativa regulada localmente. Fundos como Hashdex NCI11 e QR Bitcoin negociam na B3 e eliminam complexidade de contas internacionais, embora com taxas de administração superiores aos ETFs americanos.