Hashprice do Bitcoin sobe 22% e reativa equipamentos antigos
A rentabilidade da mineração de Bitcoin registrou alta de 22,24% em 30 dias, segundo dados de 6 de setembro de 2026. O hashprice subiu de aproximadamente US$ 32,42 para US$ 39,63 por petahash por segundo (PH/s) ao dia, tornando viáveis novamente máquinas SHA-256 mais antigas em regiões com energia barata.
Para mineradores brasileiros, o movimento traz uma oportunidade dupla. A valorização do dólar frente ao real amplia os ganhos em moeda local, enquanto a retomada de equipamentos que estavam desligados pode aumentar a participação do país no hashrate global.
Dificuldade sobe, hashrate permanece estável
A dificuldade de mineração aumentou 1,31%, atingindo 127,45 trilhões no bloco 965.664. O hashrate da rede, porém, manteve-se praticamente estável em torno de 934 exahashes por segundo (EH/s), criando um aparente paradoxo.
A explicação técnica está nas janelas de medição. A dificuldade responde a uma média de duas semanas baseada na duração da época, enquanto rastreadores de hashrate geralmente mostram estimativas de 24 horas ou sete dias. Isso significa que a rede ajustou a dificuldade para refletir condições anteriores, não o estado atual.
Preço do Bitcoin impulsiona receita
O ganho substancial no hashprice veio principalmente da valorização do preço do Bitcoin durante o mês, e não de mudanças na rede. Em 17 de setembro de 2026, o BTC era negociado a US$ 76.334, com alta de 0,49% em 24 horas.
A taxa cobrada pelos mineradores representou apenas 0,43% das recompensas totais nas últimas 24 horas antes da medição. Isso indica que o subsídio de bloco (os 3,125 BTC criados a cada dez minutos após o halving de 2024) ainda é a maior fonte de receita para a indústria.
Impacto no Brasil e na América Latina
O Brasil possui cerca de 0,4% do hashrate global de Bitcoin, concentrado principalmente em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde contratos de energia renovável oferecem tarifas competitivas. Com o hashprice em alta, operações que estavam no limite da viabilidade podem voltar a operar.
Equipamentos como o Antminer S9, lançado em 2017 e amplamente disponível no mercado secundário brasileiro, voltam a ser lucrativos em fazendas com custos de energia abaixo de R$ 0,30 por quilowatt-hora. A viabilidade depende da manutenção do preço do Bitcoin acima de US$ 75.000 e da estabilidade cambial.
Cálculo de rentabilidade exige dados em tempo real
Especialistas alertam que a receita dos mineradores é recalculada diariamente. Uma queda de 5% no preço do Bitcoin pode reverter completamente a viabilidade de um equipamento, especialmente modelos mais antigos com menor eficiência energética.
Mineradores brasileiros precisam considerar também a volatilidade do câmbio. Um hashprice de US$ 39,63 por PH/s equivale a aproximadamente R$ 198 com o dólar a R$ 5,00. Se o real se valorizar para R$ 4,80, a receita em moeda local cai proporcionalmente.
O Banco Central do Brasil não regula diretamente a mineração de criptomoedas, mas as operações estão sujeitas às regras de importação de equipamentos pela Receita Federal e aos contratos de fornecimento de energia regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Perspectiva para o quarto trimestre
A expectativa do mercado é que o hashprice continue correlacionado ao preço do Bitcoin. Com o Federal Reserve dos Estados Unidos sinalizando possíveis altas adicionais de juros, a pressão sobre ativos de risco pode limitar ganhos futuros.
Mineradores com acesso a energia subsidiada ou renovável estão em vantagem. No Brasil, projetos de mineração integrados a usinas hidrelétricas ou parques eólicos conseguem operar com margens superiores a 40% mesmo em cenários de hashprice mais baixo.
A viabilidade de longo prazo depende menos de picos temporários de rentabilidade e mais da estrutura de custos. Operações que dependem de importação de equipamentos enfrentam tarifas de até 60% entre impostos de importação e ICMS estadual, elevando o custo de entrada no setor.