Mineração de Bitcoin estagna em 1 zettahash com margens apertadas

Mineração de Bitcoin enfrenta margens apertadas com custos de US$ 137 mil por BTC. Hashrate estagnado em 1 ZH/s reflete compressão econômica pós-halving.

Rafael Andrade Mercados

Mineração de Bitcoin estagna com hashrate em 1 zettahash

A mineração de Bitcoin atingiu o marco histórico de 1 zettahash por segundo em 2026, mas a conquista técnica esconde uma realidade econômica complicada. Dados da Yellow mostram que o hashrate da mineração caiu abaixo de 1 ZH/s pela primeira vez desde setembro de 2025, sinalizando que a expansão da capacidade de mineração de Bitcoin está estagnada.

A CoinWarz registra o hashrate da mineração atual em 1,16 ZH/s no bloco 970.097, confirmando que a rede Bitcoin oscila ao redor do marco de 1 zettahash sem ultrapassá-lo de forma sustentada. Essa estagnação da mineração ocorre em momento crítico: seis meses após o halving de abril de 2026, quando a recompensa de mineração por bloco caiu de 3,125 para 1,5625 BTC.

De acordo com análise da ChainUp, as margens da mineração de Bitcoin estão sendo espremidas em 2026. O paradoxo da mineração é claro: o hashrate permanece próximo de níveis recordes, mas a expansão parou. Empresas de mineração continuam operando equipamentos existentes, mas investimentos em nova capacidade de mineração estagnaram devido à compressão de rentabilidade.

Custos da mineração atingem US$ 137 mil por Bitcoin

A ApexTo Mining reportou que, quando o hashrate da mineração atingiu 1 ZH/s, os custos de mineração de Bitcoin subiram para US$ 137 mil por moeda. Esse cálculo da mineração considera capex de equipamentos, energia elétrica e depreciação de hardware. Com o preço do Bitcoin oscilando entre US$ 76 mil e US$ 86 mil em outubro de 2026, muitas operações de mineração operam com margens apertadas ou no prejuízo.

A métrica que melhor captura essa dinâmica é o hashprice: a receita diária esperada por terahash de capacidade computacional. O Bitcoin.com News documentou que o hashprice subiu 22% em setembro, oferecendo alívio temporário aos mineradores enquanto o hashrate estagnou.

A Shattered relatou que a dificuldade de mineração caiu 19% em um ajuste recente, refletindo mineradores desligando equipamentos não lucrativos. Essa queda de dificuldade foi a primeira redução significativa desde o halving, confirmando que parte da capacidade de mineração saiu da rede.

O paradoxo: hashrate alto, expansão parada

A situação atual inverte o padrão histórico onde hashrate crescente sinalizava investimento contínuo em mineração. Hoje, o hashrate próximo de 1 ZH/s reflete principalmente equipamentos já instalados continuando a operar, não nova capacidade entrando na rede.

O estudo da Hoge sobre "Um Ano Após o Zettahash" documenta a estagnação: a rede atingiu 1 ZH/s, mas não conseguiu sustentar crescimento adicional. A explicação econômica é direta: com o halving cortando receitas pela metade e o preço do Bitcoin não dobrando para compensar, mineradores marginais foram forçados a desligar.

Para mineradores brasileiros, a equação é particularmente difícil. O Brasil tem custo de energia relativamente baixo em regiões específicas, mas a moeda local desvalorizada em relação ao dólar torna a compra de novos ASICs proibitivamente cara. Mineradores brasileiros que já possuem equipamento podem continuar lucrativos, mas expandir operações exige capital em dólar que poucos conseguem justificar com as margens atuais.

Hashprice: a métrica que importa mais que hashrate

O foco do mercado no hashrate absoluto obscurece a métrica mais relevante para mineradores: hashprice. Quando o hashrate sobe, a dificuldade aumenta proporcionalmente, diluindo a receita de cada minerador individual. Um hashrate estável ou em queda melhora o hashprice para quem permanece na rede.

O salto de 22% no hashprice em setembro demonstra esse efeito. Mineradores que desligaram equipamentos não lucrativos reduziram a competição, permitindo que operadores mais eficientes capturassem receita maior por unidade de capacidade computacional.

Essa dinâmica cria um equilíbrio natural: quando hashprice cai demais, mineradores ineficientes desligam, a dificuldade ajusta para baixo, e hashprice recupera. Quando hashprice sobe demais, novos mineradores entram, a dificuldade aumenta, e hashprice cai novamente. O mercado de mineração de 2026 está executando exatamente esse ciclo.

Quem sobrevive no aperto pós-halving

Mineradores com três vantagens específicas sobrevivem ao aperto econômico de 2026: acesso a energia abaixo de US$ 0,04 por kWh, ASICs de última geração com eficiência superior a 20 joules por terahash, e capital suficiente para suportar meses de margens baixas.

Operações que dependem de energia cara, equipamentos antigos ou financiamento de curto prazo estão sendo eliminadas. A consolidação do setor de mineração estava prevista após o halving, e os dados de hashrate estagnado confirmam que ela está acontecendo.

Para o preço do Bitcoin, a implicação é ambígua. Mineradores sob pressão podem ser forçados a vender mais de sua produção para cobrir custos operacionais, criando pressão vendedora. Por outro lado, mineradores que desligam equipamentos reduzem a oferta de novos Bitcoins chegando ao mercado via vendas forçadas. Enquanto isso, grandes compradores institucionais como a MicroStrategy continuam acumulando.

Projeção: hashrate não deve crescer significativamente até 2027

Com custos de mineração em US$ 137 mil e preço do Bitcoin em torno de US$ 80 mil, a matemática não favorece expansão de capacidade. Novos investimentos em mineração só fazem sentido se o preço do Bitcoin subir acima de US$ 140 mil, ou se uma nova geração de ASICs significativamente mais eficientes chegue ao mercado.

Nenhum dos dois cenários parece provável no curto prazo. Fabricantes de ASICs reportam que a próxima geração de chips não chegará em volume até meados de 2027. E projeções de preço acima de US$ 140 mil nos próximos seis meses carecem de catalisadores fundamentais.

O hashrate do Bitcoin provavelmente permanecerá oscilando ao redor de 1 ZH/s até que um desses fatores mude. Para mineradores, isso significa um período prolongado de margens apertadas e consolidação contínua. Para a rede Bitcoin, significa segurança mantida pelos mineradores mais eficientes, não pelos mais numerosos.

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