O Bitcoin recuou para abaixo de US$ 83 mil em 8 de outubro de 2026, após nova tentativa frustrada de romper a resistência em US$ 87 mil. A queda coincidiu com a divulgação das atas da reunião do Federal Reserve e a escalada dos preços do petróleo, que ultrapassaram US$ 100 o barril pela primeira vez desde junho.
As atas da reunião do FOMC de 15 e 16 de setembro, divulgadas em 7 de outubro, indicaram que a maioria dos membros do comitê considerou que outro aumento de juros poderia ser apropriado antes do final de 2026, embora sem definir o momento exato. O mercado de futuros FedWatch estimava apenas 18% de probabilidade de alta na reunião de 27 e 28 de outubro.
O petróleo Brent subiu acima de US$ 100 o barril devido a tensões geopolíticas que ameaçam o fornecimento no Estreito de Ormuz, onde passam cerca de 21 milhões de barris por dia. Para o Brasil, maior produtor de petróleo da América Latina, a alta nos preços pode pressionar a inflação doméstica e afetar a política monetária do Banco Central, que já elevou a Selic para 10,75% ao ano em setembro.
Liquidações atingem US$ 696 milhões
A movimentação do Bitcoin desencadeou liquidações de posições alavancadas que totalizaram cerca de US$ 696 milhões em 24 horas, segundo dados da CoinGlass compilados em 8 de outubro. Posições compradas (long) responderam pela maior parte das liquidações, refletindo o posicionamento otimista que prevalecia antes da queda.
O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de 10 anos subiu em direção a 5,36%, enquanto o dólar se fortaleceu contra as principais moedas. O real brasileiro operou em torno de R$ 5,45 por dólar, pressionado tanto pela alta dos rendimentos americanos quanto pela escalada do petróleo.
A movimentação de venda começou antes da divulgação das atas do Fed, sugerindo que outros fatores também contribuíram para a queda. O Bitcoin já havia recuado para US$ 82,9 mil com tensão no Oriente Médio no final de setembro, estabelecendo um padrão de vulnerabilidade a riscos geopolíticos.
Níveis técnicos e perspectivas
A resistência imediata permanece em US$ 84.200, seguida por US$ 85.500 e pela zona de US$ 86.700 a US$ 87 mil, onde o Bitcoin falhou em quatro tentativas de rompimento desde meados de setembro. O suporte crítico de curto prazo está em US$ 81 mil, com uma zona de demanda mais ampla entre US$ 78 mil e US$ 80 mil.
As médias móveis de 100 e 200 dias permanecem próximas de US$ 72 mil, ainda distantes dos níveis atuais. A projeção de queda para US$ 55 mil apresentada em junho pela 10x Research não se materializou, com o Bitcoin atingindo uma mínima de 2026 em US$ 57.717 no dia 30 de junho antes de recuperar.
A expectativa de alta de juros do Fed em outubro já havia pressionado o Bitcoin em setembro, mas o cenário atual apresenta a combinação adicional de petróleo acima de US$ 100, que não era esperada pelos analistas no início do quarto trimestre.
Impacto para investidores brasileiros
Para investidores brasileiros, a confluência de fatores macroeconômicos cria um cenário desafiador. A alta do petróleo beneficia a Petrobras e as receitas fiscais do governo, mas pressiona a inflação de combustíveis e alimentos. O Banco Central pode ser forçado a manter a Selic elevada por mais tempo, reduzindo o apelo relativo de ativos de risco como criptomoedas.
A correlação entre Bitcoin e mercados tradicionais permanece elevada. O índice S&P 500 caiu 1,2% em 8 de outubro, enquanto o Nasdaq recuou 1,8%, refletindo a mesma aversão a risco que atingiu as criptomoedas. A mineração de Bitcoin estagna em 1 zettahash com margens apertadas, indicando que mesmo produtores enfrentam dificuldades no ambiente atual de preços.